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  • A mãe que acolhe

    Françoise

    “Foi o meu coração que me disse para acolher essas crianças”

     

    Françoise Furaha tem 38 anos e vive com seus filhos em uma pequena roça no Quartier Keshero, subúrbio de Goma.

    Sua casa de madeira é humilde, tem dois quartos e uma pequena salinha. A cozinha fica na área externa. No quintal, ela planta hortaliças, cria galinhas e animais para alimentação.

    Desde que ficou viúva há pouco mais de um ano, a única forma de renda vem de uma pequena mercearia que ela cuida do outro lado da rua. Lá, vende alimentos frescos que produz, ovos, refrescos e óleo de palma.

    Há cinco anos, Françoise se alistou para ser uma ‘família de acolhimento’.

    Uma espécie de família adotiva para receber temporariamente crianças desacompanhadas ex-integrantes de grupos armados que estão em processo de reintegração social e em busca de sua família biológica.

    Desde então, já acolheu 28 meninas e 16 meninos. Hoje abriga um menino de origem ruandesa. O rapaz já faz parte da família. É mais um de seus filhos.

    © Flavio Forner

    “Foi o meu instinto interior que me fez escolher ser uma família de acolhimento”, diz Françoise.

    “Todos aprendemos com ele e sua história de vida. Ele está totalmente integrado à nossa rotina”, comenta.

    Ao nascer do sol, a família faz a primeira reza do dia, realiza as refeições juntos e o pequeno prepara-se para participar das atividades diárias oferecidas pelo Programa de Apoio à Luta contra a Miséria (PAMI), uma organização sem fins lucrativos que administra um espaço para acolher meninos que estiveram associados a grupos armados em Goma.

    “Hoje, ele é mais feliz. É uma coisa boa para todos nós”.

    As famílias que se prontificam a acolher estas crianças representam o primeito passo rumo à uma efetiva reintegração social .

    Estar em um lar e acompanhar o ritmo familiar é uma forma de romper o ciclo da violência nas comunidades.

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