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  • O embaixador

    Karibu

    “A Capoeira é a melhor coisa que surgiu na minha vida”.

     

    Alex Karibu, de 29 anos, é hoje um dos três professores da iniciativa “Capoeira pour la Paix”.

    Natural da capital Kinshasa, há 12 anos Karibu pratica esta arte marcial. Com um ar risonho e amistoso, ele explica que sua paixão pela Capoeira foi o que o seduziu para trabalhar com crianças.

    Voluntário da Unicef em Goma, ele realiza um trabalho voltado especialmente para crianças vulneráveis e para a reinserção de meninos desmobilizados de grupos armados no leste do Congo.

    Órfão de pai e mãe, a prática desta arte marcial também o acolheu como uma família.

    © Flavio Forner

    “Comecei muito jovem no mundo da Capoeira. Ela me deu confiança. Passei a amá-la desde o primeiro momento que a vi”, sorri ao relembrar.

    Tudo começou em 2005 quando participou de um workshop com um mestre brasileiro vindo da Bélgica.

    “Ali pensei que queria me tornar o embaixador da Capoeira no meu país e ajudar aos outros com os valores da Capoeira”.

    Desde fevereiro de 2016, quando aterrissou em Goma, Karibu teve contato pela primeira vez com os espólios e o rastro de décadas de conflito no leste da RD Congo.

    “Há muitas crianças que participam de grupos armados. Esta é a razão que eu me voluntariei para vir aqui e ajudar a desenvolver este trabalho com a Capoeira”, descreveu.

    Em swahili, ‘Karibu’ significa ‘bem-vindo’. E é com esta simbologia que Alex escolheu ser chamado no mundo da Capoeira.

    Para ele, esta arte marcial faz com que as pessoas se unam e superem suas diferenças.

    “A Capoeira abraça o contexto familiar. Nos torna a todos irmãos e irmãs. A Capoeira é diferente, não torna ninguém agressivo. Ela promove uma harmonia entre quem a pratica e transmite mútuo respeito”.

    A coexistência pacífica em um contexto violento é o que move Karibu em suas aulas diárias que ministra com meninos e meninas em situação de vulnerabilidade em Goma. A Capoeira para a promoção da paz no Congo.

    © Flavio Forner

    Desde que iniciara o trabalho junto com a equipe do “Capoeira pela Paz”, coordenada pelo brasileiro mestre Saudade, Karibu nota uma mudança progressiva no comportamento das crianças.

    “Já vejo resultados positivos. Não é fácil para as crianças que passaram por grupos armados e estão longe de suas famílias”.

    O trabalho inicia com a conquista da confiança de meninos e meninas que vivenciaram algum tipo de trauma e privação.

    “Digo sempre que estou aqui para ajudá-los e que podem confiar em nós. Muitos foram maltratados, sofreram e nunca aprenderam valores como a bondade”, destaca.

    Num contexto de violação, essas crianças crescem e se fecham como “uma rocha”.

    Aos poucos, com o trabalho pedagógico e disciplinar, “vamos dando conselhos e regando com gotinhas de amor para que possamos ajudá-los no seu processo de transformação. Estamos regando e plantando uma sementinha para que essas crianças floresçam”.

    Seu sonho é continuar a ensinar e a difundir a Capoeira com a mensagem de paz pelas comunidades em que atua.

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