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  • O futuro professor

    Platiny

    “Antes eu era muito triste, hoje sou verdadeiramente feliz”, é assim que se define o rapaz de 15 anos que se identifica como Platiny.

     

    Ele é hoje um amante da Capoeira.

    Sua família de seis irmãos é natural de Walikale, a 200 km oeste de Goma. Seu pai morreu quando Platiny era tão criança que não tem lembranças em sua memória. Sua mãe sofre de epilepsia e sua condição de saúde é frágil.

    Ele vive com o tio em um bairro de Goma chamado Nyabushongo e, em 2014, teve o primeiro contato com uma aula de Capoeira dada por Ninja, quem hoje o admira.

    “A Capoeira me deu muitas oportunidades na vida”.

    Platiny não foi um menino soldado, mas seu passado é semelhante ao de muitas crianças que vivem em situação de vulnerabilidade.

    Sem poder ir à escola, pois sua família não podia custear a matrícula, Platiny vivia acanhado e solitário.

    O contato com a Capoeira mudou sua vida por inteiro.

    Ele começou a frequentar regularmente as aulas no hospital Heal Africa.

    “Me perguntaram se eu estudava. Como disse que não, me ofereceram uma bolsa de estudos. Hoje eu estudo graças à Capoeira”.

    Falta pouco para concluir a secundária.

    O amor por essa prática fez com que Platiny fosse atrás de todas as aulas de Capoeira ensinadas. Ele é presença constante no Heal Africa, no centro de transição do CAJED e no abrigo do PAMI.

    Diariamente ele cruza a cidade e percorre longas distâncias para jogar a Capoeira.

    De sua casa até o centro de transição Cajed são 3 km de distância por ruas sem aslfato e de poeira. Algo que não o desencoraja.

    “Eu verdadeiramente amo a Capoeira”.

    Há pelo menos quatro anos com frequência assídua, Platiny sonha alto. A cada aula ele ajuda aos mais novos, dá assistência aos professores e sonha em se tornar um mestre de Capoeira, assim como Saudade.

    “A Capoeira nos reúne a todos como numa família. Jogo com ex-meninos soldado ou pessoas que sofreram algum tipo de violência ou são doentes. A mensagem da Capoeira é a de reunir a todos na roda mesmo que tenhamos histórias de vida diferentes”.

    Platiny hoje trilha o caminho para tornar-se em breve um instrutor.

    “Gostaria poder continuar a jogar a Capoeira e ensinar aos outros, assim como me ensinaram. Quero ser um professor assim como o Ninja e o Saudade. Quero ajudar na capoeira pela paz”.

    Para ele, a Capoeira pode ser transformador.

    “Espero que todos os amigos possam voltar à escola. Com a Capoeira eles mudaram a sua mente e deixaram para trás uma vida de luta”.

    O adolescente não terá seu nome original divulgado. Para garantir a integridade e a segurança das crianças menores de 18 anos e seguir as diretrizes da UNICEF, as crianças entrevistadas neste projeto foram identificadas pelos apelidos que elas próprias escolheram.
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